Em uma definição limitada, entende-se como intestino um órgão que faz parte do sistema digestivo e se divide em duas partes: delgado e grosso. Na primeira ocorre a absorção da grande maioria dos nutrientes, já na segunda, ocorre a absorção da maior parte da água utilizada durante o processo de digestão.

De acordo com o professor e pesquisador Michael D. Gershon, da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, ‘limitar o papel do intestino à digestão seria reduzir consideravelmente a importância desse órgão’. O intestino a muitos anos tem sido alvo de grandes estudos, chegando à conclusão de que o nosso intestino (ou intestinos) é de grande importância imunológica, metabólica, fisiológica e funcional para todo o nosso sistema corporal.

Ele é um órgão com um “sistema nervoso próprio” que se denomina sistema nervoso entérico, totalmente específico para as funções intestinais, começando no esôfago e terminando no ânus. Possui aproximadamente 100 milhões de neurônios, número que se aproxima à quantidade de neurônios da medula espinhal, sendo capaz de controlar o trato gastrointestinal mesmo se as conexões com o sistema nervoso central forem interrompidas. Esses neurônios são capazes de se comunicarem entre si, detectar e regular qualquer alteração (alterações nos movimentos peristálticos, por exemplo) e provocar uma série de sintomas.

Produzimos, também no intestino, 90% de um neurotransmissor chamado serotonina, diretamente relacionado à sensação de bem-estar e felicidade. Assim, se o intestino funcionar bem, menores serão os riscos de ocorrência de depressão e ansiedade.

Entenderam o motivo do intestino ser chamado como “segundo cérebro”?

Além de todo essa rede de neurônios, encontramos no intestino uma quantidade considerável de bactérias denominada “microbiota intestinal” ou mais popularmente, “flora intestinal”. Esses microrganismos são responsáveis por auxiliar na prevenção de infecções geradas por outros microrganismos patogênicos, ajuda na produção de enzimas, que irão degradar nutrientes mais complexos. Quando há um desbalanço da flora intestinal (mais bactérias nocivas do que benéficas) surgem doenças relacionadas à saúde intestinal. Beber líquidos durante a alimentação (principalmente os com gás), mastigação rápida e incorreta, uso constante e sem orientação médica de anti-inflamatórios e antibióticos prejudicam a saúde do intestino e podem causar distenção abdominal, constipação intestinal (a popular prisão de ventre), má digestão, intolerâncias alimentares e diversas doenças intestinais inflamatórias.

Algumas Doenças Intestinais Inflamatórias:

Doença do intestino irritável

Doença crônica, cujos sintomas variam entre prisão de ventre e diarreia. A doença ocorre devido alterações nas contrações do intestino (rápidas ou lentas demais). Inchaço e dor abdominal, gases e muco nas fezes são alguns dos sintomas. A doença pode ser controlada evitando alimentos gordurosos, cafeína, glúten e bebidas com gás. Alguns medicamentos são prescritos nos casos mais graves.

Hemorroida

Ocorre quando a pressão das veias do ânus aumenta, elas inflamam, incham e doem. As hemorroidas podem estar dentro do reto ou do ânus e serem internas ou externas. As causas das hemorroidas são diversas podendo ser fruto de doenças como cirrose hepática, de hábitos como o de ficar sentado por muito tempo ou do esforço excessivo para evacuar, ocasionado por exemplo pela constipação intestinal. Alguns alimentos devem ser evitados como canela, alho, cebola, pimenta, assim como o consumo de refrigerantes especialmente à base de cola, café, chá verde, mate, branco, chocolate. O uso de condimentos e temperos prontos como caldos e molhos concentrados também deve ser desencorajado, uma dica é aproveitar o sabor natural dos alimentos ou adicionar cheiro verde. Aumentar o consumo de água é muito importante para este quadro.

Apendicite

É uma doença do sistema digestivo que é muito comumente vista. É causada pela obstrução por gordura e fezes, infecção gastrointestinal e alimentos grudados na cavidade do apêndice, pequena bolsa presa no começo do intestino grosso. Perda de apetite, febre baixa e náuseas são os principais sintomas. A apendicite exige cirurgia para remover o apêndice. Se não for tratada a tempo, a inflamação se espalha e pode levar o indivíduo à morte.

Doença de Crhon

A Doença de Crohn não tem cura, e ainda é um mistério até para os médicos e pesquisadores. Geralmente ataca o íleo (intestino delgado) e o cólon (intestino grosso). Na fase leve e moderada causa diarreia frequente e dor abdominal. No estágio moderado e grave o paciente tem náuseas e vômitos, febre e anemia. Na fase fulminante ocorre obstrução intestinal. Problemas de pele e artrite são sintomas associados à doença. Cirurgia é indicada em casos severos.

Câncer

O câncer de intestino não costuma apresentar sintomas e quando se manifesta o tumor geralmente já está grande. Algumas alterações intestinais podem indicar a presença de um tumor: diarreia, sangue nas fezes e emagrecimento sem razão aparente são sinais que podem indicar tumores.

Cuidar da alimentação e consequentemente da saúde intestinal, é de grande importância para manter o equilíbrio do organismo. Cuide da saúde do seu intestino! Procure sempre a orientação de um nutricionista para seu programa alimentar.

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